Nesta terça-feira (14), a médica paulista, Adriana Awada, pediu
desculpas nas redes sociais após criticar a qualidade da água na Bahia e
desdenhar de baianas que usam turbantes. “Gostaria de esclarecer alguns
fatos referentes ao post que publiquei dias atrás, e que acabou sendo
alvo de muitos comentários e de uma repercussão extremamente negativa.
Mais do que esclarecer, venho humildemente pedir desculpas a todos que
possam ter se sentido ofendidos com o teor de referido post”, escreveu
na rede social.
“Quem me conhece sabe que não sou preconceituosa, muito menos racista, e
jamais tive a intenção de atacar ou magoar ninguém. A minha única
intenção foi dizer que depois de uma semana de praia, sol e sem os
devidos cuidados, meus cabelos estavam prejudicados. Mas fui infeliz nos
meus comentários”, reconhece. Ainda em desabafo, a dermatologista
afirmou também que a “Bahia, é uma terra linda”. “Amo muito, para onde
vou sempre que posso, visitar grandes amigos. Mais uma vez peço
desculpas”, escreveu.
Alguns internautas não aprovaram a retratação da médica. "Não volte
mais não! É um favor que você faz aos baianos de não ter sua presença
transbordando ignorância sobre uma cultura que ficou claro que jamais se
informou. É muito fácil falar que o post ofendeu e provavelmente pensar
que foi até uma bobagem. Mas bobagem? Há quanto tempo nós baianos e
nordestinos somos alvos de tanta disseminação de ódios e ofensas
racistas de vocês paulistas? Mas a senhora paulista só nos mostrou que a
ignorância, na maioria dos casos, vem mesmo é daqueles que saem por aí
exibindo seus diplomas. Foi preconceituosa sim! Falou por maldade sim!
Suporte as consequências do que disse, sem vitimismo", disse.
Outro escreveu: "você foi ridícula! Algumas pessoas usam turbantes não
por causa dos cabelos e sim cultural, você não deveria mais vir a Bahia,
sou baiana com muito orgulho tenho cabelos lisos e vivo aqui e nem por
isso meus cabelos ficam ressecados e danificados".
Mas alguns amigos também apoiaram a dermatologista. "Fique em paz. Te
conheço há tanto tempo e sei que você tem grande amor e respeito! O
problema é que hoje não podemos falar nada e já se tomam conclusões! Não
vi nenhuma ofensa". Outra pessoa registrou: "Adriana , quem conhece
você , sabe sua índole . Você jamais magoaria alguém , muito pelo
contrário , o que tenho presenciado é sempre sua atitude agregadora e
sempre procurando ajudar a todos que conhece e até mesmo a quem não
conhece. Sua energia é incrível. Assim como sua espontaneidade. Um post
mal interpretado por quem não conhece você. Parabéns pela coragem e
humildade no pedido de desculpas".
A primeira postagem que foi apagada horas depois gerou uma onda de
revolta. A jornalista Ivana Dorali, da Rede de Mulheres Negras da Bahia,
considerou a postagem com "teor racista". Ao Brasil Post, ela afirmou
que o turbante é um "elemento da mulher negra" e criticou a mensagem.
"Dá a sensação de que todo o trabalho de conscientização racial, de
defesa mínima de igualdade, não vale de nada. Vira e mexe aparecem casos
como esse. É um absurdo, já que o turbante é um elemento da nossa
história, da nossa resistência e ancestralidade".
No domingo (12), a médica conhecida nacionalmente em sua especialidade
escreveu: “uma semana lavando os cabelos na água da Bahia, foi uma das
piores coisas que os meus fios já viram! Ficaram duros, com aspecto de
sujo, difíceis de pentear, textura quase melecada, enfim, cruel demais!
Passei os últimos quatro dias usando rabo de cavalo e todos os produtos
que tive acesso!!! Agora já sei porque as Baianas usam turbante!!!
Precisamos nos internar no salão, lavar muito, hidratar para que eles
voltassem ao norma!!!”.
Com a repercussão do caso, a médica deixou o perfil bloqueado para não
seguidores, mas no início da tarde desta terça-feira a função foi
desativada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário